quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A heróica verdade





As pessoas precisam de alguém que lute por elas. Precisam de alguém que as dê esperança, justiça, paz. Bilhões de indivíduos compondo uma sociedade complexa e muitas vezes paradoxal, e apenas alguns estão dispostos a serem heróicos. Centenas de milhões de problemas a serem resolvidos, centenas de bilhões de vidas sendo jogadas para o alto todos os dias, e a massa social dorme tranquila, esperando o pão e o circo de amanhã. Contam-se nos dedos os heróis.

Tarde de quinta-feira. Ou quarta. Centro da cidade. Ou subúrbio. Milhares de cabeças trafegando, todas com seus próprios problemas, ansiedades, desejos, convicções. MEDOS. Todas com seus próprios neurônios soltos. Têm um ponto de partida e um ponto de chegada, mas o que há entre os dois ainda é incerto. Uns vão pelo Sol e voltam com a Lua, outros seguem o tempo contrário. No meio do caminho, porém, que é quando a vida acontece, o mundo parece recluso. Os outros parecem reclusos. Seres estranhos, na maioria mal-encarados, talvez mal-trajados, quem sabe se não mal-resolvidos, mas estão lá, cada um a seu tempo, com seu destino, indo trabalhar, estudar, divertir-se, namorar, roubar, matar... quantas as possibilidades que cercam o mundo? Vão em bando, sem saber que o são, mas ainda assim, sendo. Não só não sabem como não se reconhecem como tal, se fazendo indiferentes, desdenhosos, ou em alguns casos até mesmo hostis. Quando se observa os animais em bando, embora os machos possam disputar a liderança do grupo, eles se defendem contra um mal externo comum, lutando contra os inimigos até a morte se necessário. Mas a espécie que caminha sem saber-se bando é diferente. Não se defendem, muito pelo contrário, podem olhar tranquilas os seus serem atacados, ou mesmo se atacarem.

E nesse momento, vendo a fúria animalesca dos seus tremulando os chãos e os céus, mas não o coração dos outros, a espécie se digladia sem saber, ou mesmo sabendo, sem gostar, ou mesmo gostando, sem querer... sim, ou mesmo querendo. Ela aprendeu a manter um estado de letargia diante do que pode ser sua extinção iminente, convenceu-se de que não cabe a ela, e sim à "espécie em si", resolver o caos que se instalou... quer dizer, caos?! Quem falou em caos? A espécie não vê caos. É apenas uma situação rotineira, uma brincadeira entre leões filhotes, saudável e necessária ao desenvolvimento dos bichanos. E assim, silenciosamente, como que por brincadeira, podemos contemplar a formação de um buraco negro do que deveria ser uma radiante e gloriosa estrela... fim.


FIM? Não, não é o fim!

Omitimos um fato, perdõem-nos. Um sujeito simples no meio dessa oração confusa, um raquítico raio de luz no meio dessa escuridão funesta, uma ovelha branca diante das suas irmãs mais velhas. É o nosso Herói Aposentado!

Descendo dos céus com sua capa esvoaçante, ou vindo quixotescamente em sua bicicleta, ele aparece. Vendo a brincadeira de mau gosto dos filhotes leões, ele intervém e os separa, dizendo que não devem brincar daquele jeito, pois podem acabar se machucando. As pessoas continuam à sua volta, como se não muita coisa estivesse acontecendo. Os filhotes podem resistir, porque queriam continuar brincando, mas acabam cedendo, e param. O Herói, com sua áura mágica e imponente, dá sua missão por cumprida, e a aura desaparece. Ele volta aos céus rapidamente, ou rapidamente pedala de volta ao seu destino. Um homem pergunta: o que aconteceu?

As pessoas precisam de alguém que lute por elas. Precisam de heróis. Porém, muitas vezes, admiram e reverenciam heróis super-poderosos, de capa e espada, de terno e gravata, e se esquecem dos heróis aposentados que percorrem as ruas de todos os países, em todos os continentes, todos os dias. Alguém por acaso já viu o Batman no Afeganistão? Ou o Super-Homem no Brasil? Não, meus caros colegas, são os Heróis Aposentados por toda a parte que impedem a espécie de colidir. Eles se destacam quando necessário, e voltam à multidão quando cumprem suas missões. Eles estão entre nós. Na verdade, podem até ser alguns de nós. Quando necessário.

Neste blog, conversaremos sobre questões intrigantes, polêmicas, divertidas, revoltantes, heróicas. Mas em todas elas, tentaremos manter uma coisa em mente:

TODO HERÓI É NA VERDADE UM HOMEM COMUM, E TODO HOMEM COMUM É NA VERDADE UM HERÓI.

Sejam bem-vindos ao Blog do Herói Aposentado.

Estamos abertos a doações e comentários.

3 comentários:

Jéssica C. disse...

texto grande do diaboo ashuahsuahsuahsuha
vou ler, vou ler..um instante!

Jéssica C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jéssica C. disse...

Uns vão pelo Sol e voltam com a Lua,



Se o herói está aposentado é pq já foi ativamente "herói".
Pq simplesmente não ampliamos o conceito de herói..permitindo que se abranja também outros caracteres além dos superpoderes almejados pelo Homem.

Na verdade, acredito que o homem sempre precisou acreditar em mt coisa, e mts vezes era preciso recorrer à fantasia como forma de sobrevivência tb , sej apara fugir dos problemas ou para criar uma realidade que ele gostaria de ter e não tem, algo distante dele. E por isso o herói adquire um aspecto de "deus humano", que praticamente deixa de viver sua vida para salvar a vida alheia.

Um herói mitologico por exemplo é Hércules, ou seja, pro cara ser herói, não era preciso ser forte apenas..mas sendo "semi deus" já resolvia o problema ¬¬.

Eu acho que precisamos reformular urgentemente nosso dicionário, elaborando outra forma de critérios para classificação dos substantivos..na busca de algo masi proximo da essência real das coisas

Pois do jeito que as coisas estão..
Não é dificil imaginar que muitas coisas ficarão à margem da sociedade, ou fora do alcance dos olhos de mt gente, simplesmente por não haver algum nome compatível que se adeque á sua essência.

E quanta coisa o ser humano perde somento por nao saber nomear, não é verdade?

Isso é o que eu acho.

:D

P.S: FINALMENTE COMENTEIIII E LI SEU TEXTO.