domingo, 8 de maio de 2011

Este é provavelmente o post mais importante deste blog, então preste atenção.


Se tudo são problemas, talvez exista uma solução. Se existe uma solução... que tal começar a procurá-la?

Se o problema é seu, é porque a solução também é.

sábado, 7 de maio de 2011

Ensina-me


As lições vêm de todo lugar. Quando elas vierem, é melhor sentar para escutar e aprender. Quando você acha que já é grande, forte e temeroso o suficiente...

Sente na areia, ouça o vento. Há uma lição para você. Não importa seu tamanho.

Quero ser o maior de todos, e ainda ter humildade para sentar na areia e aprender.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

É preciso queimar para construir


A arma mais forte e resistente, feita do metal mais poderoso, aquela que atinge seu alvo com precisão máxima, teve de ser queimada para ser forjada. Antes, ela era apenas um pedaço de ferro, ou aço. Inábil, inútil a não ser talvez como objeto de apreciação. Seu valor real era muito baixo, e poderia passar de mão em mão sem deixar marcas ou causar fascinação. Então ela é levada até a forja. queimada, fundida, desconstruída. Embora seu material fosse necessário à construção, ele não estava treinado para se tornar uma arma. Não tinha a disciplina necessária.

O ferreiro precisa destrui-la, queimá-la e martelá-la. Pode parecer um processo doloroso. Talvez seja. Mas a dor em si tem muito pouco a ver com isso. Cada batida do ferreiro enrijece o metal, tornando-o mais forte, mais treinado. Lembre que, embora enrijecendo-se, o metal ao final será transformado em uma bela e flexível lâmina. Enrijecer não significa prender-se. O mais forte não é o mais bruto, ou inflexível. Ao contrário, nas mãos certas, a arma mais forte é a que conseguir maior flexibilidade.

Há um ingrediente além dos demais que podem ser vistos, necessário à construção. Cada martelada do ferreiro não é composta somente de força. Força é necessária, na medida certa, mas chega um ponto em que uma força maior não faz diferença, e pode até arruinar o trabalho. É o espírito. O ferreiro põe de si tanto força quanto espírito para conseguir transformar um pedaço de metal não em outro pedaço de metal, mas em espada.

Foco. O ferreiro não pode descuidar da construção; o metal é aquecido e ele deve ser trabalhado assim. Se as mãos descuidarem da construção, o metal resfriará e não poderá mais ser trabalhado.

A forja está sempre presente. Trazemos cada construção para cima dela, necessitamos de ferramentas para modelá-la, devemos ter força e espírito para transformar um metal rígido e inábil em uma ferramenta maleável e fina. Não podemos descuidar, pois senão teremos nada mais que um pedaço de metal frio e impassível em nossas mãos.

Enquanto somos os ferreiros e colocamos metais em cima da forja para trabalhá-los, não há grande problema e nossas habilidades são suficientes. Acontece que até hoje vivi o suficiente para saber que o principal desafio é quando somos o ferreiro, a forja e o metal.

A forja precisa ser firme para aguentar marteladas; o metal deve ser trabalhado aquecido e não esfriar a não ser no fim; o ferreiro... deve colocar seu espírito em sua obra.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O olhar se dilata


Somos sempre passíveis de renovação. O tempo muda, as coisas, os estados. Interessante poder fazer uma análise da mesma situação em tempos diferentes: você vive algo hoje e pode interpretá-lo, mas passam-se os anos, as vidas, as esperanças, e você novamente se volta para a questão de tanto tempo atrás, para poder contá-la de novo e vislumbrá-la com outros olhares. Os heróis ainda são heróis? Os monstros são tão horrendos quanto pareceram a princípio? E o caos, que estava instalado no universo inteiro, solucionou-se?

O herói aposentou-se?

Vamos, pois, renovamo-nos. Revolucionamo-nos. Aquele de tempos imemoriáveis, de quem as lendas e canções tanto falam, já não se encontra mais. Não se é mais. São as vicissitudes da vida. Nada permanece por muito tempo. Só algumas coisas. Mas o simples e poderoso fato de estarmos ainda presentes para analisarmos e, quem sabe, recontarmos as lendas que se foram já nos deve ser motivo de grande satisfação.

Não se iluda: o passado é algo que não existe. É uma ideia criada, um conforto para a alma que tenta buscar em um tempo que não é seu a solução dos seus temores, ou ao menos a reconfortante ideia de saber que nem tudo já foi assim, ou de outro modo.

Mas a memória não é morta. Ela é parte do presente, e do futuro, e pode constituir um fundamento importante para o que está por vir. Logo, é talvez imprescindível saber analisar os eventos anteriores para saber lidar com a estrada pela frente.

Os aposentados voltam à ativa. Resgatam suas ferramentas, armas, ideias, e as reconstroem. Não começam de onde pararam. Nesse meio tempo, muito aconteceu, e se transformou. As ideias e armas também.

Bem vindos de volta ao Blog das Vicissitudes, ou dos Heróis Aposentados. Que voltam à ativa.

sábado, 31 de janeiro de 2009


O tempo é 1418. Estamos no mês de junho, nas terras sudestes do Reino da Espanha, não muito distante do Mediterrâneo. O Sol cintila alto neste começo de verão, e seus raios iluminavam até a mais escura morada. Eu sou Lioni Diosen, trovador das províncias do norte. Meu plano mais ousado em vida era poder cantar no meio de uma multidão uma lenda protagonizada por mim mesmo. Não tenho passado, meu futuro é muito incerto. A única coisa que possuo neste momento, e isso descobri há duas semanas, é um destino. As páginas do livro de minha vida estão claramente traçadas. Ao que parece, resta-me apenas segui-las...

Diosen, "pertencente a Deus", em língua antiga.
Não é meu nome de batismo, pois esse eu não tenho. Foi a primeira palavra que pronunciei quando acordei, na Foresta de la Fontana.

- Sim, já podemos continuar. - disse-lhe eu - Estamos a caminho do Porto de las Callas, não é isso?
- Sim. - respondeu ela suavemente - A cavalo, devemos atingir seu território em seis dias. Lá recrutaremos o primeiro.
- Como saberemos que é ele? - questionei.
- Ele carrega consigo o sinal. Nós saberemos quando o virmos.
- Hum... mas se ele é um mercenário, precisaremos de uma boa quantia em moedas para convencê-lo a se unir a nós. De outro modo, dificilmente ele aceitará participar de uma empreitada tão improvável e perigosa.
- Bem, tenho certeza de que você cuidará desse aspecto. - disse ela sorrindo, que sinceramente não consegui saber se com ironia ou com pura segurança.




Consegui dois cavalos e segui para a saída do vilarejo. Era bom poder ter uma calma passagem por um lugar como aquele. Longe dos tumultos. Deveria lembrar de render preces aos habitantes de lá, e aos jovens Gabriel e Jamón. Um dia, desejaria voltar e lhes contar o fim da trajetória de Aren e Sírio. Mas com certeza sabia que, caso voltasse, teria muitas outras histórias para contar.
Já avistava o fim das casas e o começo da estrada. Minha acompanhante estava de pé, pronta para seguirmos. Qual seria o destino final, ainda era incerto.

- Devemos prosseguir agora. - começou ela. - Temos um longo caminho pela frente, e o tempo pode não estar a nosso favor.

Dei uma boa olhada para ela. Não era alta, embora não fosse baixa, olhos verdes e longos cabelos negros de cigana. Pele branca, macia e traços delgados. Vestia um traje vermelho cintilante, e sua beleza emanava de todos os cantos, ainda que não exibisse mais do que um tímido sorriso em seus lábios. Às vezes, em lugar da doçura, demonstrava uma fria e perigosa serenidade em seu olhar. Cada palavra que deixava sua boca parecia ser certa, atingia o ponto exato. Ela sabia exatamente do que estava falando, e isso dava ainda mais credibilidade ao que me dizia. De fato, devia ser quem dizia ser.
Seu nome não me fez questão de dizer. Atendia apenas pelo nome de Avatar.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


Levantei-me devagar, vendo meu jovem público desaparecer entre as madeiras velhas das paredes e as portas grosseiramente fechadas, como um claro sinal de que alguém não era bem-vindo àqueles lares. De fato, bardos não tinham grande fama entre as famílias camponesas. Para elas, éramos apenas vagabundos que ficavam cantarolando histórias inventadas de guerreiros e dragões para arrancar de uns trouxas algumas moedas para sobreviver. Realmente, não posso culpá-las. A verdade não se distanciava muito disso. A não ser pelo fato de que, por sermos andarilhos de cidades, florestas e mares, não precisávamos inventar todas as histórias que contávamos. Bastava manter os ouvidos abertos e os olhos atentos. E, porventura, acrescentar um dragão ou dois grifos ao enredo. As pessoas adoram histórias fantásticas, pelas quais são encantadas e temerosas. Principalmente por aquelas que têm a certeza de ser reais. Quando as ouvem, não são muito diferentes daquelas crianças que sentam em fileiras, fazem perguntas e gritam ao menor sinal de suspense.

Observei o vilarejo em que me encontrava, a caminho de meu destino. Casas de madeira bruta, algumas de barro. Um estábulo à esquerda me permitiria ao menos conseguir um cavalo para a estrada. Hortas e mais hortas me diziam que aquele não era um lugar de comércio, mas de plantação. Como suspeitado, não avistei nenhuma taberna em que pudesse contar algumas histórias e, com sorte, ganhar uma garrafa de vinho de um velho bêbado e bigodudo ávido por lendas do Oriente.
Já tinha estado no Oriente uma ou duas vezes, embarcando como convidado em um navio mercante, para agradar e distrair a tripulação de marujos fétidos e sem dentes. Felizmente, essa não foi a parte mais agradável de minha passagem pelo Mediterrâneo. A parada no Cairo me fez conhecer arrojadas arquiteturas náuticas e duas exuberantes mulheres, com quem não passei mais de uma noite. A mesma noite.

Bem, mas infelizmente não tenho tempo para fantasias orientais ou lembranças romanescas.