sexta-feira, 6 de maio de 2011

É preciso queimar para construir


A arma mais forte e resistente, feita do metal mais poderoso, aquela que atinge seu alvo com precisão máxima, teve de ser queimada para ser forjada. Antes, ela era apenas um pedaço de ferro, ou aço. Inábil, inútil a não ser talvez como objeto de apreciação. Seu valor real era muito baixo, e poderia passar de mão em mão sem deixar marcas ou causar fascinação. Então ela é levada até a forja. queimada, fundida, desconstruída. Embora seu material fosse necessário à construção, ele não estava treinado para se tornar uma arma. Não tinha a disciplina necessária.

O ferreiro precisa destrui-la, queimá-la e martelá-la. Pode parecer um processo doloroso. Talvez seja. Mas a dor em si tem muito pouco a ver com isso. Cada batida do ferreiro enrijece o metal, tornando-o mais forte, mais treinado. Lembre que, embora enrijecendo-se, o metal ao final será transformado em uma bela e flexível lâmina. Enrijecer não significa prender-se. O mais forte não é o mais bruto, ou inflexível. Ao contrário, nas mãos certas, a arma mais forte é a que conseguir maior flexibilidade.

Há um ingrediente além dos demais que podem ser vistos, necessário à construção. Cada martelada do ferreiro não é composta somente de força. Força é necessária, na medida certa, mas chega um ponto em que uma força maior não faz diferença, e pode até arruinar o trabalho. É o espírito. O ferreiro põe de si tanto força quanto espírito para conseguir transformar um pedaço de metal não em outro pedaço de metal, mas em espada.

Foco. O ferreiro não pode descuidar da construção; o metal é aquecido e ele deve ser trabalhado assim. Se as mãos descuidarem da construção, o metal resfriará e não poderá mais ser trabalhado.

A forja está sempre presente. Trazemos cada construção para cima dela, necessitamos de ferramentas para modelá-la, devemos ter força e espírito para transformar um metal rígido e inábil em uma ferramenta maleável e fina. Não podemos descuidar, pois senão teremos nada mais que um pedaço de metal frio e impassível em nossas mãos.

Enquanto somos os ferreiros e colocamos metais em cima da forja para trabalhá-los, não há grande problema e nossas habilidades são suficientes. Acontece que até hoje vivi o suficiente para saber que o principal desafio é quando somos o ferreiro, a forja e o metal.

A forja precisa ser firme para aguentar marteladas; o metal deve ser trabalhado aquecido e não esfriar a não ser no fim; o ferreiro... deve colocar seu espírito em sua obra.

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