
Noites vagando sob um céu estrelado
A Lua me protege com seu manto iluminado
Estou sozinho, rodeado
De pensamentos, pessoas vãs
Procurando algo que me parece incerto
Certeza na vida nunca vi por perto
Estou numa multidão, deserto
Me batem tropeço e caio
Fico de jejum até à noite
Pois outra opção não tenho
Ando de pés descalços, venho
Pedir um sapato, ninguém dá
Muito menos eu posso comprar
E só por isso continuo a andar
No frio sei que posso congelar
Mas não posso congelar
Ainda
Ainda tenho uma morte pra viver
Viver pra nada é minha profissão
Roupas rasgadas são meu instrumento
Andar entre os homens é o meu ofício
Ser notado, não sou não
Passo como o vento entre eles, ou como os ratos
Não sou muito mais que isso
Mas não tenho tempo pra me importar
Pois já é hora de parar de jejuar
A Lua me protege...
Mas comida não me dá.

2 comentários:
Lembrei de algo existencial, agr que conversamos mt sobre isso, que encontrei em um livro do Cury:
Mas antes colocarei esse texto:
"EU NOS VI ALI...
Casualmente me chegou às mãos uma foto feita pela sonda "Mars Reconnaissance Orbiter" a partir da superfície de Marte. Mostra a Terra tendo a Lua ao fundo; foto recente... e... ao observá-la me remeteu a uma série de reflexões...
Naquele pálido ponto azul existem 7 bilhões de pessoas, além de outras milhares espécies animais, enfim...fauna, flora, minério, terra, água, vida !!!
Vc consegue visualizar o que estava acontecendo na Terra no momento dessa foto ?
Alegrias pelo nascimento de um filho querido; tristezas pela morte de alguém; aniversários, festas, vitórias, derrotas, frustrações, riqueza, pobreza, decepções, conquistas, a "primeira vez" de milhares de seres... humanos ou irracionais, a "última vez" de outros milhares, expectativas, tristezas, guerras, saúde, o "primeiro amor", o "último amor", a vida sem nenhum amor, a perda, o ganho, a genialidade, a inteligência, o vazio intelecutal, o sorriso, a lágrima, fome, doença, fartura, fé, esperança...
tudo que você possa imaginar e o que não possa imaginar acontece nessa "bolinha" azul... e não em outro lugar...
Os 7 bilhões de pessoas não se encontram durante uma vida... por isso, nada é por acaso.
Os encontros, ainda que em enorme quantidade, são limitados.
O "acaso" nos coloca à prova diariamente, exatamente em função desses encontros serem especialíssimos, necessários, indispensáveis para a realização de cada um de nós, ainda que efêmeros ou duradouros, ainda que conscientes ou insconscientes, ainda que vividos com efervescência ou desprezo, ainda que absorvidos e logo depois descartados...
E ao ver o mundo nessa perspectiva, bem... não importa o que realmente eu possa ter pensado, prefiro apenas verbalizar: "eu nos vi ali..."
Augusto Cesar Malheiros
Pronto aqui vai :
"Marco Polo ficou intrigado com essas palavras. Perguntou pela terceira vez:
- Você conhece o Falcão?
O mendigo fitou-o e respondeu:
- Há muitos anos me pergunto quem eu sou. Quanto mais me pergunto, menos sei quem sou.
O que penso que sou não é o que sou.
Três dias depois, encontrou-o novamente. Desta vez foi mais comedido. Sentou-se
delicadamente no banco. Ficou um minuto sem conversar. Dava olhadelas para o mendigo, que
parecia ignorá-lo.
- Por favor, senhor, diga-me se você é o Falcão.
Depois de outra insistência, o mendigo voltou-se para ele e perguntou:
- Quem é você?
Marco Polo se identificou, disse seu nome, seu endereço, onde estudava e outras informações.
- Não estou perguntando o que você faz, mas quem você é. O que está na sua essência, por
trás da sua maquiagem social.
Marco Polo sentiu um nó na garganta. Foi pego de surpresa pelo raciocínio perspicaz do
mendigo. "Esse mendigo não é um demente. Ao contrário. No primeiro encontro ele usou a
palavra "predador", agora fala sobre "maquiagem social", analisou. Não soube o que responder.
Então o mendigo disse:
- Se você é lento para dizer quem é, como ousa perguntar quem eu sou?
O jovem recebeu mais um choque. Por isso, insistiu:
-
O senhor conheceu o Poeta. Quem era? Por que tem esse apelido?
-Garotos perfumados, trajando belas roupas, vivendo na superfície da existência. Quem são
vocês para estudar o HOMEM? Retalhem seu corpo, mas jamais penetrarão em sua alma.
Tais palavras abalaram Marco Polo. Era um raciocínio brilhante, embora ofensivo. Convenceu-
se de que esse mendigo era o Falcão.
augusto cury
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