Levantei-me devagar, vendo meu jovem público desaparecer entre as madeiras velhas das paredes e as portas grosseiramente fechadas, como um claro sinal de que alguém não era bem-vindo àqueles lares. De fato, bardos não tinham grande fama entre as famílias camponesas. Para elas, éramos apenas vagabundos que ficavam cantarolando histórias inventadas de guerreiros e dragões para arrancar de uns trouxas algumas moedas para sobreviver. Realmente, não posso culpá-las. A verdade não se distanciava muito disso. A não ser pelo fato de que, por sermos andarilhos de cidades, florestas e mares, não precisávamos inventar todas as histórias que contávamos. Bastava manter os ouvidos abertos e os olhos atentos. E, porventura, acrescentar um dragão ou dois grifos ao enredo. As pessoas adoram histórias fantásticas, pelas quais são encantadas e temerosas. Principalmente por aquelas que têm a certeza de ser reais. Quando as ouvem, não são muito diferentes daquelas crianças que sentam em fileiras, fazem perguntas e gritam ao menor sinal de suspense.
Observei o vilarejo em que me encontrava, a caminho de meu destino. Casas de madeira bruta, algumas de barro. Um estábulo à esquerda me permitiria ao menos conseguir um cavalo para a estrada. Hortas e mais hortas me diziam que aquele não era um lugar de comércio, mas de plantação. Como suspeitado, não avistei nenhuma taberna em que pudesse contar algumas histórias e, com sorte, ganhar uma garrafa de vinho de um velho bêbado e bigodudo ávido por lendas do Oriente.
Já tinha estado no Oriente uma ou duas vezes, embarcando como convidado em um navio mercante, para agradar e distrair a tripulação de marujos fétidos e sem dentes. Felizmente, essa não foi a parte mais agradável de minha passagem pelo Mediterrâneo. A parada no Cairo me fez conhecer arrojadas arquiteturas náuticas e duas exuberantes mulheres, com quem não passei mais de uma noite. A mesma noite.
Bem, mas infelizmente não tenho tempo para fantasias orientais ou lembranças romanescas.
Observei o vilarejo em que me encontrava, a caminho de meu destino. Casas de madeira bruta, algumas de barro. Um estábulo à esquerda me permitiria ao menos conseguir um cavalo para a estrada. Hortas e mais hortas me diziam que aquele não era um lugar de comércio, mas de plantação. Como suspeitado, não avistei nenhuma taberna em que pudesse contar algumas histórias e, com sorte, ganhar uma garrafa de vinho de um velho bêbado e bigodudo ávido por lendas do Oriente.
Já tinha estado no Oriente uma ou duas vezes, embarcando como convidado em um navio mercante, para agradar e distrair a tripulação de marujos fétidos e sem dentes. Felizmente, essa não foi a parte mais agradável de minha passagem pelo Mediterrâneo. A parada no Cairo me fez conhecer arrojadas arquiteturas náuticas e duas exuberantes mulheres, com quem não passei mais de uma noite. A mesma noite.
Bem, mas infelizmente não tenho tempo para fantasias orientais ou lembranças romanescas.

Um comentário:
ter um pouco de bardo?!!
andarihos q tem ouvidos abertos e olhos atentos..que alimentam a imaginaçao..
adorei harry..virei leitora..hehe
não pare de postar suas histórias..
são ótimas..
bju!
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